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    Dear White People - 1ª Temporada

    "As mais refinadas faculdades americanas podem representar uma enorme carga de estresss para seus alunos. Tensões sociais, a pressão acadêmica e o medo que vem com a chegada à idade adulta podem ser aterrorizantes. Pior que isso, só se você for um afro-americano, tendo que lidar com os alunos majoritariamente brancos e os estigmas associados a você pela sociedade. "




    Crítica: Os 13 Porquês - 1ª Temporada

    "Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos."

    Depois de tanto tempo, finalmente chegou uma adaptação de 13 Porquês, muito se falava sobre um filme há alguns anos que seria protagonizado por Selena Gomez, mas ela acabou entrando como produtora da série produzida pela Netflix.

    Quem leu os livros sabe que a história não é muito longa e que tudo acontece em uma noite. Ao adaptar-se para uma série já é bem lógico que estendam a história em 13 episódios contando um porquê em cada um deles, mas é bem óbvio também que fazer isso daria margem para alguns problemas no roteiro.


    Vou começar falando das atuações, que são um ponto muito positivo na série. A começar por Dylan Minnette, que eu já tinha visto em alguns outros papéis, o mais recente que me vem na mente é o filme Goosebumps, o qual a atuação dele não é lá essas coisas, já nessa série eu fiquei surpreso com a atuação dele, que eu acho que em alguns momentos ela chega a ultrapassar a qualidade da própria série.

    Outra que se destaca é Katherine Langford como Hannah Baker, que em seu primeiro grande papel, se sai muito bem em cenas bem difíceis até mesmo pra quem assiste. O elenco ainda conta com Kate Walsh que protagoniza uma das cenas mais reais e humanas que já vi em muito tempo, extremamente bem escrita, dirigida e atuada. O restante do elenco teen, não são grandes atuações, mas são ok dentro daquilo q o roteiro exige.

    Agora vamos ao roteiro, que no geral é muito bom, mas que em alguns momentos cai em conveniências. Primeiramente, como a maioria das séries adolescentes, há clichés. Clay por exemplo é o típico adolescente tímido e pouco popular. Mas também há personagens bastante diferentes, Courtney Crimsen por exemplo, é uma personagem lésbica que tem problemas com sua sexualidade mesmo sendo filha  de um casal gay e expõe uma discussão interessante e pouco trabalhada na ficção.

    O problema é que o roteiro acaba tocando muito pouco nesse drama, há dramas interessantes aqui, mas para progredir com a história alguns acabam sendo abandonados sem a devida atenção. Por outro lado, o roteiro também apresenta um problema em prolongar demais a história, os episódios do meio da série possuem diálogos e situação repetitivas, que acabam desperdiçando um tempo que poderia ter sido usado para dar mais atenção a alguns assuntos que ficam soltos no fim da temporada.



    Outro problema do roteiro está em como a personagem Hannah se torna frágil ao longo da história. No início da série vemos que Hannah não é uma menina com problemas de socialização ou que possua tendências depressivas, na verdade ela é uma menina muito confiante e otimista e que inclusive se deixa abalar com situações como qualquer ser humano, mas ao mesmo tempo não perde o seu jeito de ser por conta disso, e isso era algo que eu muito tinha admirado nos primeiros episódios, a personagem parecia ser muito humana. Porém o roteiro acaba errando a mão ao longo dos acontecimentos, Hannah começa a demonstrar uma fragilidade quase que repentina ao mesmo tempo que ainda tenta manter o mesmo otimismo, isso é um ponto que exigia um pouco mais de cuidado.

    E por último, algo que não é exatamente uma falha. Está mais para uma pequena falta de cuidado em relação ao tema suicídio. Que exige muito cuidado para ser trabalhado em qualquer obra de ficção. Não acho que a série seja perigosa como muita gente vem dizendo, até porque isso seria meio que chamar nós jovens de seres de mente vazia completamente influenciáveis por qualquer obra de ficção.

    Realmente não acho que seja para tanto, mas acho que poderia haver um cuidado maior em trabalhar por exemplo qual a real razão da Hannah deixar aquelas fitas, uma forma de desabafo? uma forma de conscientizar as pessoas sobre coisas que machucam emocionalmente? ou uma maneira de punir pessoas que na sua visão foram malvadas com ela? A exemplo disso basta notar que o que Hannah deixa para trás são pessoas quase atormentadas ou por se sentirem culpadas como Clay, ou com medo das fitas chegarem as autoridades e que eles sejam responsabilizados como Courtney, Zach e Tyler.



    O assunto se torna ainda mais complexo quando lembramos de todos os motivos os quais ela enumera nas fitas. Em sua maioria representam aquele tipo de coisa que todos tentam ver como trivial mas que pode fazer mais mal do que imaginamos a uma pessoa, especialmente se essa coisa se torna frequente. Porém alguns motivos acabam soando meio forçados, por exemplo, a razão de Clay estar na fita, que por mais que eu tenha conseguido entender a visão da Hannah sobre o acontecimento, chega a ser decepcionante o fato de ter esperado mais da metade da temporada para descobrir que o Clay nem sequer deveria estar na lista como dito pela própria Hannah.

    E pior ainda é a reação que o personagem tem ao descobrir, visto que Clay se sente culpado pela morte da Hannah desde que começou a ouvir as fitas e no momento em que finalmente ouve sua fita, sua reação imediata é se culpar ainda mais de uma forma que soou meio exagerada na minha opinião.



    Quanto aos elementos visuais da série, não há muito o que dizer do design de produção. Quem ganha destaque é a fotografia que transita entre o frio e quente numa clara alusão a vida e a morte. Nos momentos em que Hannah está viva, tudo é mais colorido e quente, algumas cenas chegam a ser quase amareladas. Enquanto, quando Hannah já se matou, as cores são mais frias, geralmente pro lado de um azul ou cinza, e com menor presença de luz também.

    Além de servir como alusão, é um recurso que poderia ser muito bem utilizado para situar presente e passado. No entanto a série tomou a triste escolha de além disso, colocar um corte na testa de Clay no presente. Um recurso extremamente tosco, já que um outro personagem chega a apanhar na série e suas feridas somem mais rápido que o corte de Clay, além de que esse recurso acaba saindo como uma maneira de tratar o espectador como burro a ponto de precisar de um recurso tão tosco e óbvio como esse.

    Outro elemento da série digno de elogios é a montagem. Além de ser muito precisa, ela é bastante diferente, e interessante, sem utilizar de recursos preguiçosos.

    Tenho visto muitos comentários sobre uma possível segunda temporada. Apesar de alguns ganchos que sobraram, não acho que precisa de segunda temporada. Não há enredo suficiente para mais uma segunda temporada, além do fato de que acho que perderia muito o foco.

    Os 13 Porquês é uma série interessante, que faz de tudo para não ser mais um drama adolescente e realmente não é. Porém a série tem um roteiro meio problemático que tenta demais prender o espectador ao longo de 13 episódios e isso acaba resultando em algumas falhas. Mesmo assim a série já é uma das melhores e mais importantes produções da Netflix e com certeza a mais famosa nas redes sociais.

    Já assistiu a série? Concorda comigo? Discorda? Fique a vontade para comentar o que achou!



    Gustavo Matheus

    Crítica: Punho de Ferro - 1ª Temporada

    "Daniel Rand (Finn Jones) é um bilionário, herdeiro da fortuna das Indústrias Rayne. Por 15 anos, todos acreditaram que ele estava morto, após um acidente de avião no Himalaia que vitimou seus pais, Wendell e Heather Rand. Mas Danny foi salvo e viveu todo esse tempo na cidade mística de K'un-Lun, uma das Sete Capitais do Céu. Lá, Danny aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro. De volta a Nova York, ele vai tentar retomar seu posto na empresa, agora sob o comando de seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Mas ele precisa convencer a todos que é realmente quem diz ser e combater o Tentáculo, com a ajuda de Colleen Wing (Jessica Henwick)."

    Punho de Ferro é o ultimo membro dos Defensores a ser apresentado antes de finalmente estrelar a série, que estreia ainda esse ano, junto com Jessica Jones, Luke Cage, e Demolidor.

    Os heróis da parceria Marvel-Netflix sempre tiveram em comum o fato de serem mais urbanos, não são heróis que defenderiam a terra de um meteoro, ou de um super ataque alienígena. E eu particularmente tinha grandes expectativas pro punho de ferro, por achar que ele seria o mais diferente dos 4, até porque ele é um herói de poderes místicos, algo que só vimos nos cinemas recentemente com Doutor Estranho, e que nenhuma das séries Marvel-Netflix tinha explorado.

    Acontece que quem espera uma série cheia de misticismo e bem fiel ao personagem pode acabar se decepcionando e muito. A série parece ter medo de se arriscar nessa área e nunca alcança seu grande potencial.

    Essa crítica terá SPOILERS, se ainda não assistiu, assista e depois volte :)

    A primeira coisa que afirmo de cara sobre o roteiro é que comparado a Jessica Jones, Luke Cage e Demolidor, ele é muito fraco. Os diálogos não são grande coisa, repetitivos, ás vezes didáticos demais. E além disso esse roteiro tem muitos furos e inconsistências, algumas coisas que parecem as vezes bobas mas que no final acabam se acumulando e gerando um incômodo em quem assiste.
    Só para começar, Danny chega em Nova York com um Ipod, que posteriormente é mostrado que estava com ele na queda de avião, porém não faz sentido. Como depois de 15 anos ele ainda teria o Ipod intacto e carregado? Sendo que durante esses 15 anos ele estava em K'un-Lun, onde pelo que sabemos não tem energia elétrica.

    As cenas de lutas também são muito inconsistentes, no primeiro episódio ele passa por vários seguranças sem nenhuma dificuldade, mas episódios depois ele tem uma luta com um outro segurança de Ward no hospital que ele tem uma certa dificuldade que não faz o menor sentido. Ele passou 15 anos treinando artes marciais, derrotou um dragão, para ter essa dificuldade toda de bater num cara comum.

    Em outra cena ele luta ao lado de Colleen Wing, e Claire Temple, sendo que Claire apenas começou a treinar luta com Coleen nessa série. Punho de Ferro e Claire Temple lutando juntos no mesmo nível é absurdamente sem sentido.



    Outro grande problema do roteiro, é simplesmente abandonar alguns assuntos meio que do nada. Nos primeiros episódios em que Danny salva a filha do homem que produzia heroína para Madame Gao, ele a salva para pouco tempo depois não se falar nada da mesma nem sobre o que aconteceu com ela.

    Agora a respeito dos atores e dos personagens. Comparando com as demais séries, são personagens bem fracos, não sei se são mal escritos ou se só são o que são mesmo nos quadrinhos. Eu gostei do próprio Danny Rand, eu achei legal  que ele não é super herói super experiente e que sempre sabe o que faz, ele comete muitos erros ao longo da temporada, as vezes age por impulso, ele é muito humano, e também gostei da maneira como ele trata o legado da família, pouco se importando com a fortuna.


    Agora quanto aos novos personagens, Joy (Jessica Stroup) é a personagem com mais problemas de construção ao longo da série. Eu comecei gostando muito dela no começo, mas o arco dela é muito mal desenvolvido, não fica claro sua intenção ou sua lealdade. Eu gostei um pouco mais do Ward (Tom Pelhrey), pra mim ficou bem mais claro que ele tem camadas, é um personagem que vive em conflito com o que quer e com as vontades do pai.

    E então temos Colleen Wing (Jessica Henwick), que é praticamente a melhor personagem da série. Tudo a respeito dela faz muito sentido, é uma personagem muito forte, e é muito difícil não gostar dela. O restante dos personagens já vinham sendo desenvolvidos em outras séries como Madame Gao, Claire Temple, Jeri Hogarth.

    Agora sobre a história e como adaptaram o personagem para esse formato. Eu já disse lá em cima que a série não se arrisca muito no misticismo. Até mesmo o punho de ferro, o super poder de Danny, não é usado com tanta frequência como se esperava. Eu achei as cenas de lutas até bem coreografadas, mas elas podiam ir além, Demolidor já tem lutas bem coreografadas, do Punho de Ferro esperava algo que fosse além disso.

    Falta misticismo, ousadia a essa série, que é muito fraca e não traz a essência do que seria o universo do personagem Punho de Ferro, mesmo assim a série tem uma história capaz de prender, e que tem valor de entretenimento. Agora é esperar pelos Defensores.


    Gustavo Matheus

    Crítica: 3% - 1ª temporada

    "Em um futuro pós-apocalíptico não muito distante, o planeta é um lugar devastado. O Continente é uma região do Brasil miserável, decadente e escassa de recursos. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de passar pelo Processo, uma rigorosa seleção de provas físicas, morais e psicológicas que oferece a chance de ascender ao Mar Alto, uma região onde tudo é abundante e as oportunidades de vida são extensas. Entretanto, somente 3% dos inscritos chegarão até lá."
    3% é a primeira série totalmente brasileira e original Netflix. O projeto já existe faz tempo, inclusive já havia um piloto da série postado no Youtube.
    Eu gostei muito dos personagens, são bons, conseguem prender o espectador. Fiquei muito feliz de ver que a maioria deles possui uma profundidade, são poucos personagens rasos, há uma história por trás das atitudes e das personalidades.


    Vou começar falando da produção. Que infelizmente me decepcionou muito, os cenários são simples, não tem aquela preocupação que outras séries tem, além de que não acho que o cenário representa bem a proposta. A série se passa no futuro, porém com exceção de alguns equipamentos usados pelos personagens. O futuro não é refletido nas cores, na arquitetura. As instalações onde acontece o Processo por exemplo se parecem com lugares comuns dos dias atuais.

    Os figurinos também ousam muito pouco. Há alguns figurinos interessantes e mais ousados mas a maioria não acrescenta nada. E aproveitando que estou falando de cores, a fotografia também não é muito ousada. Não há uma grande diferença entre o ambiente onde 97% da população vive e as instalações do Processo. É até estranho porque no piloto que tem no Youtube, a fotografia é bem cinzenta e da um clima bem mais pesado, enquanto a série é toda colorida. Tudo bem que o Processo representa uma forma de esperança para alguns e portanto uma coisa colorida é mais convidativa, porém tudo é tão iluminado e colorido que não parece um Processo difícil, não há aquela sensação pesada de ameaça, injustiça que tanto sentimos em filmes como Jogos Vorazes.
    Acontece algo parecido na história em relação a chamada "Resistência", em vários momentos da trama, um personagem se refere a Resistência como uma ameaça ao Processo e ao Mar Alto, porém essa ameaça não é sentida pelo espectador. As cenas que envolvem a Resistência apenas mostram um grupo de pessoas que se reúnem e tramam algo que é pouco explicado e vez ou outra ocorrem assassinatos, não há grande indicadores de uma guerra entre a Resistência e o sistema.

    A discussão política feita na série é bem interessante, poderia ter sido mais intensa, mas ainda assim é bem feita. Achei legal como as injustiças do sistema afeta cada personagem de uma maneira diferente.


    O elenco é muito bom, achei legal ver durante entrevistas que eles criaram um tipo de união que acaba se refletindo um pouco na química entre alguns personagens na tela. Bianca Comparato está muito bem como Michele, mas acho que ainda podia ter sido melhor, algumas cenas dela, especialmente as do início são muito boas e mostram que a atriz tem muito potencial, mas no decorrer da narrativa, tem algumas outras cenas que parecem ter sido meio que no "modo automático", mas no geral foi uma ótima atuação. João Miguel está ótimo como Ezequiel, acho que os poucos defeitos que tenham talvez sejam erros na construção do personagem, porque senti que ele realmente encarnou o personagem. Gostei muito de Michel Gomes como Fernando, só não gostei do desenvolvimento do personagem, acho que ele muda de opinião em relação ao processo de forma muito repentina. Rodolfo Valente interpreta Rafael, e achei seu personagem interessante e o ator da o seu melhor com o material que tem.
    Vaneza Oliveira vive Joana, é uma das melhores personagens da série. Mas acho que ela podia ter sido ainda mais intensa em algumas cenas, mas no geral seu trabalho foi excelente. Gostei muito de Viviane Porto como Aline, ela deu um toque fino e até mesmo sensual para a personagem, e soube muito bem transmitir a ameaça que ela representava para os interesses de Ezequiel. Mel Fronckowiak entregou o que acabou se tornando minha personagem preferida na série. Julia tem um arco dramático muito interessante que acaba influenciando na história de outros personagens. E Mel mandou muito bem no papel, cenas intensas, e bem dramáticas.

    Eu gostei da trilha sonora. Não é muito marcante, mas consegue desempenhar um bom papel e acaba sendo bem melhor que a maioria das produções nacionais.

    3% é uma série problemática, que tem um potencial enorme, mas que deixa um pouco a desejar. Mesmo assim é muito boa de assistir, e acaba sendo muito importante pro desenvolvimento de mais produções nacionais diferenciadas.


    Gustavo Matheus

    Crítica: The OA - 1ª Temporada

    "Prairie Johnson é uma garotinha cega que desaparece. Sete anos depois, ela retorna, com a visão perfeita. A jovem (Brit Marling) tenta explicar aos pais o que aconteceu durante a sua ausência. Para a surpresa de todos, ela diz que nunca realmente se foi, mas estava em outro plano da existência... Num lugar invisível."

    The OA é uma série diferente de tudo que vinha sido feito de original pela Netflix, é uma incrível mistura de drama, suspense, mistério e fantasia que mesmo com algumas pequenas falhas, é uma obra incrível.
    Para ver essa série, recomendo que saiba o menos possível sobre ela. Então darei o menor número possível de spoilers.
    O roteiro da série é muito bom, os diálogos são bem escritos, não há muitos clichês. E gostei muito de todos os personagens. Só acho que a série tem um pouco de problema em estabelecer o tom da história, o tom do piloto é diferente do restante, não da indícios de que a história tenha elementos de fantasia por exemplo. Aliás, o piloto em si é muito fraco.


    Mas a partir do segundo episódio, a série entra num ritmo mais energizante e imersivo que principalmente para aqueles que maratonaram a série, quase não percebe-se a passagem de um episódio para outro, um pouco semelhante com a experiência de assistir Stranger Things.

    Eu gostei muito do elenco, todos são competentes, mas infelizmente a história não da tanta oportunidade para os personagens secundários se destacarem. O maior destaque com certeza está com a protagonista interpretada por Brit Marling. Brit conseguiu conduzir uma personagem que mesmo nos momentos de fraqueza possui uma força, que é esquisita mas incrivelmente carismática. Outro que se destacou é Emory Cohen, que me surpreendeu muito, pois baseado em suas primeiras cenas, não achei que seria uma boa atuação, mas no momento certo ele demonstrou um incrível talento para passar quantidades bem dosadas de carisma, aflição, e drama. Jason Isaacs também fez um trabalho excepcional, é incrível que mesmo nos momentos em que ele toma terríveis atitudes, o espectador ainda se sente tentado a tentar gostar dele. É provavelmente o ator mais conhecido do elenco, você talvez o conheça por interpretar Lúcio Malfoy em Harry Potter. O restante do elenco não possui muito destaque, mas mesmo assim estão todos praticamente impecáveis.



    Eu adorei a fotografia da série. Tem uma paleta de cores muito definida que não se altera muito ao longo dos episódios, tons de lilás e roxo estão por toda parte. Inclusive acho que isso é um dos maiores acertos da série, o visual. É magnífico e esplendoroso quando deve ser, importuno quando necessário, e também aconchegante em alguns momentos. No início da série, também se usa uns enquadramentos diferentes típicos de smartphones e de câmeras amadoras.
    Acho que o problema da série está em não desenvolver tanto seus personagens secundários e deixar mais dúvidas do que respostas, não fica claro se é mesmo uma série de fantasia ou apenas um drama com elementos fantásticos, o que é ruim pra uma história contada nesse formato.

    The OA é uma história diferente, ousada, empolgante e com uma mensagem magnífica. Possui alguns problemas mas não deixa de ser mais um grande acerto da Netflix.



    Gustavo Matheus

    Crítica: Get Down









    "Ambientada em Nova York durante o ano de 1977, The Get Down conta a história de como, à beira das ruínas e da falência, a grande metrópole deu origem a um novo movimento musical no Bronx, focado nos jovens negros e de minorias que são marginalizados. Entre a ascenção do hip-hop e os últimos dias da Disco Music, a história se costura ao redor das vidas dos moradores do Bronx e de sua relação com arte, música, dança, latas de spray, política e Manhattan."


    Recentemente, estreou na Netflix a série Stranger Things que rapidamente se tornou um fenômeno, nesta série a excelente ambientação se dá na década de 1980, com foco em pré-adolescentes e que emula algumas emoções da nossa infância, como a fantasia da grande aventura. Pouco tempo depois a Netflix lançou sua nova série exclusiva, Get Down que tem uma excelente ambientação na década de 1970 e que tem em seu núcleo principal adolescentes com seus sonhos, mas ao contrário de Stranger Things não é a fantasia que os cerca e sim uma dura realidade.

    Get Down é uma série dramática com um pouco de musical, ela não é igual a Chicago, Across the Universe ou outro musical conhecido que até o ato de pedir água se torna em um canção com dança. A música que é excelente se faz presente nos momentos certos e não fica cansativa. Os personagens são fictícios, mas o contexto histórico é real, vemos o nascimento do Hip Hop e o movimento da cultura negra em Nova Iorque.







    Mylene Cruz, é filha de um pastor que sonha em virar uma cantora de Disco (moda musical da época), enfrenta na figura do seu pai a primeira barreira para realizar seu sonho. Com uma bela voz e determinação ela vai crescendo ao longo da série, todas suas ações são tomadas com um objetivo em mente, ser cantora.

    Shaolin Fantastic, tratado com uma lenda urbana no primeiro episódio entra para o grupo principal com o sonho de se tornar um DJ. Em busca da perfeição segue os ensinamentos do Grandmaster, o melhor DJ do pedaço. Shaolin precisa conciliar seu sonho com sua realidade, ganhar dinheiro ajudando uma das maiores traficantes da cidade e aprender a ser um verdadeiro DJ. A vida dupla traz ótimos dilemas para a trama. Segundo o Grandmaster, o primeiro passo para o Shaolin se tornar um DJ é arrumar um poeta. O poeta é o responsável por anunciar o DJ, por criar uma rima que complemente a música. Nessa hora entra o protagonista da série.

    Ezekiel “Books”, é o personagem que mais evolui ao longo da história, enquanto os outros protagonistas possuem objetivos definidos ele se mostra indeciso. Apaixonado pela Mylene seus únicos esforços são no sentido de conquista-la. Melhor aluno da escola e com uma grande aptidão musical parece jogar fora todo seu talento. Sua vida começa a mudar quando conhece Shaolin e recebe um convite para ser o poeta do aspirante a DJ.



    O elenco de apoio é muito bem construído. Dizzee, Ra e Boo, são os grandes amigos de Ezekiel e que vão ganhando um espaço maior com o avançar da trama. Papa Francisco é o típico anti-herói, envolvido em processos ilegais, mas que ama e defende seu povo. Uma das características que mais me chamou a atenção nesta série é que seus personagens são tratados com camadas e a cada episódio vamos descobrindo mais um pouco sobre eles.

    O primeiro episódio da série pode causar algum estranhamento, com uma hora e meia de duração ele demora um pouco para fisgar nossa atenção, mas ao final dele já queremos assistir o próximo.

    Get Down foi para mim uma grata surpresa, não esperava muito da série e resolvi dar uma chance confiando no selo de qualidade da Netflix e não me arrependi.

    Alex da Silva