Crítica: Get Down









"Ambientada em Nova York durante o ano de 1977, The Get Down conta a história de como, à beira das ruínas e da falência, a grande metrópole deu origem a um novo movimento musical no Bronx, focado nos jovens negros e de minorias que são marginalizados. Entre a ascenção do hip-hop e os últimos dias da Disco Music, a história se costura ao redor das vidas dos moradores do Bronx e de sua relação com arte, música, dança, latas de spray, política e Manhattan."


Recentemente, estreou na Netflix a série Stranger Things que rapidamente se tornou um fenômeno, nesta série a excelente ambientação se dá na década de 1980, com foco em pré-adolescentes e que emula algumas emoções da nossa infância, como a fantasia da grande aventura. Pouco tempo depois a Netflix lançou sua nova série exclusiva, Get Down que tem uma excelente ambientação na década de 1970 e que tem em seu núcleo principal adolescentes com seus sonhos, mas ao contrário de Stranger Things não é a fantasia que os cerca e sim uma dura realidade.

Get Down é uma série dramática com um pouco de musical, ela não é igual a Chicago, Across the Universe ou outro musical conhecido que até o ato de pedir água se torna em um canção com dança. A música que é excelente se faz presente nos momentos certos e não fica cansativa. Os personagens são fictícios, mas o contexto histórico é real, vemos o nascimento do Hip Hop e o movimento da cultura negra em Nova Iorque.







Mylene Cruz, é filha de um pastor que sonha em virar uma cantora de Disco (moda musical da época), enfrenta na figura do seu pai a primeira barreira para realizar seu sonho. Com uma bela voz e determinação ela vai crescendo ao longo da série, todas suas ações são tomadas com um objetivo em mente, ser cantora.

Shaolin Fantastic, tratado com uma lenda urbana no primeiro episódio entra para o grupo principal com o sonho de se tornar um DJ. Em busca da perfeição segue os ensinamentos do Grandmaster, o melhor DJ do pedaço. Shaolin precisa conciliar seu sonho com sua realidade, ganhar dinheiro ajudando uma das maiores traficantes da cidade e aprender a ser um verdadeiro DJ. A vida dupla traz ótimos dilemas para a trama. Segundo o Grandmaster, o primeiro passo para o Shaolin se tornar um DJ é arrumar um poeta. O poeta é o responsável por anunciar o DJ, por criar uma rima que complemente a música. Nessa hora entra o protagonista da série.

Ezekiel “Books”, é o personagem que mais evolui ao longo da história, enquanto os outros protagonistas possuem objetivos definidos ele se mostra indeciso. Apaixonado pela Mylene seus únicos esforços são no sentido de conquista-la. Melhor aluno da escola e com uma grande aptidão musical parece jogar fora todo seu talento. Sua vida começa a mudar quando conhece Shaolin e recebe um convite para ser o poeta do aspirante a DJ.



O elenco de apoio é muito bem construído. Dizzee, Ra e Boo, são os grandes amigos de Ezekiel e que vão ganhando um espaço maior com o avançar da trama. Papa Francisco é o típico anti-herói, envolvido em processos ilegais, mas que ama e defende seu povo. Uma das características que mais me chamou a atenção nesta série é que seus personagens são tratados com camadas e a cada episódio vamos descobrindo mais um pouco sobre eles.

O primeiro episódio da série pode causar algum estranhamento, com uma hora e meia de duração ele demora um pouco para fisgar nossa atenção, mas ao final dele já queremos assistir o próximo.

Get Down foi para mim uma grata surpresa, não esperava muito da série e resolvi dar uma chance confiando no selo de qualidade da Netflix e não me arrependi.

Alex da Silva









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