Crítica: American Crime Story - The People Vs. OJ Simpson




American Crime Story é a mais nova antologia criada por Ryan Murphy. Baseada em crimes reais e desenvolvida em conjunto por Scott Alexander, Larry Karaszewski, Nina Jacobson, Brad Simpson e Brad Falchuk.

Baseada no livro "The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson" de Jeffrey Toobin, a primeira temporada retrata de forma inovadora o caso de OJ Simpson, jogador que em 1994 foi acusado do assassinato de sua ex-esposa Nicole Brown Simpson e de seu então namorado, o garçom Ronald Lyle Goldman. O caso foi de enorme repercussão nos Estados Unidos, inclusive chegou a ter julgamento televisionado, além de ser comentado diariamente nos vários programas de TV da época.

O enredo da série tem um ponto de vista muito interessante. Coloca o expectador em cenas antes só vistas a distância, há varias cenas em que poderiam ser usadas cenas reais de jornais da época, porém esta série faz questão que o expectador tenha uma visão diferente do que já foi mostrado. A história é focada praticamente toda no julgamento, sem favorecer a defesa ou a acusação, visto que a intenção é que o expectador não fosse influenciado a acreditar que OJ era culpado ou inocente, por esse mesmo motivo não há muitas cenas da investigação.

A série também dá enfoque na vida dos participantes. Há cenas mostrando o dia a dia dos advogados que tiveram suas vidas expostas devido ao caso. Além de muitas cenas da relação de OJ e sua família, e também de seu então amigo Robert Kardashian (sim, o pai das Kardashians está nessa série). Também há algumas cenas da família de Robert, que atualmente é extremamente famosa especialmente pelo reality show "Keeping Up With The Kardashians", nessas cenas é possível notar algumas características da família que são vistas ainda hoje. Apesar de que Khloe Kardashian afirmou em entrevista que nem todas as cenas da série aconteceram de fato, mas que estava muito grata pela maneira que retrataram seu pai.

Quanto as cenas do julgamento. A veracidade impressiona. Muitas das falas dos personagens são falas reais. E a fidelidade das atuações impressiona.


Falando em atuações, o elenco desta série é excepcional. Sarah Paulson interpreta a promotora Marcia Clark, e ela se saiu realmente muito bem nesse papel, não é atoa que recebeu uma indicação ao Emmy deste ano, ainda mais sabendo que Paulson gravou esta série ao mesmo tempo que gravava American Horror Story, também criada por Ryan Murphy. Cuba Gooding, Jr. interpreta OJ Simpson, e é muito legal a maneira que ele conduziu o personagem sem que influenciasse a opinião do expectador, inclusive muitas de suas cenas são misturas de takes. Primeiro ele gravava uma cena parecendo culpado, depois gravava esta mesma cena parecendo inocente, e na edição essas gravações eram misturadas. Kenneth Choi interpreta o juiz Lance Ito, entregou uma atuação muito verdadeira, extremamente semelhante ao juiz real. David Schwimmer interpreta Robert Kardashian, também se saiu muito bem nesse papel, ele demonstra ser o único verdadeiramente preocupado com OJ e com as vítimas. Há também Courtney B. Vance como o advogado de defesa Johnnie Cochran, e também fez uma atuação excelente. O elenco ainda conta com vários outros nomes como John Travolta, Selma Blair, Nathan Lane, Bruce Greenwood, Sterling K. Brown, todos impecáveis.


Outro ponto extremamente positivo nesta série é o design de produção, que também está indicado ao Emmy. A série se passa no auge dos anos 90, e o design é muito fiel a isso. No tribunal as cores variam entre cinza e marrom, que ajudam a recriar o clima da época. As câmeras, os computadores, telefones, tudo é igual era na época. A caracterização dos atores também foi impecável, condizentes com a época e com as pessoas reais.


Também é interessante notar os temas abordados pela série. Como a questão do sexismo, Marcia Clark foi muitas vezes descriminada no tribunal pelo fato de ser mulher. A série não é necessariamente feminista, mas mostra as injustiças sofridas por Marcia sendo uma mulher. Como por exemplo no momento em que o chefe de Marcia recomenda que ela mude o cabelo, dei e de usar terno para ganhar mais credibilidade no tribunal.

E por último mas não menos importante, a fotografia da série. Como já disse anteriormente as cores nunca são vibrantes, a luz também não é importante, o que realmente importa aqui é a câmera. Os movimentos de câmera são completamente diferentes da maioria das séries de advogados, enquanto a maioria faz vários cortes de um personagem pro outro, American Crime Story deixa as cenas mais agitadas e dinâmicas fazendo bruscos movimentos, ajudando na tensão das cenas. No começo da série a câmera é mais parada, conforme a situação se agita, a câmera também se torna mais solta, também é feito um bom uso do zoom.

American Crime Story - The People Vs. OJ Simpson é uma série extremamente bem produzida, recheada de grandes atuações e digna de todos os elogios. Vale muito a pena conferir!


Gustavo Matheus


2 comentários:

  1. Oie! Essa série é muito boa! Não consigo acompanhar ela, mas sempre que posso assisto algum ep!
    Bjss, comenta por favor nesse post ajudaria muito: http://resenhasteen.blogspot.com.br/2016/09/projeto-poetas-urbanos-naan-angel.html

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    1. Olá. Espero que em breve ela esteja na Netflix pra mais gente ver. Bjs

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