Crítica: Esquadrão Suicida


Finalmente chegou aos cinemas em 4 de julho o tão aguardado "Esquadrão Suicida". O filme que conta a história de um grupo de perigosos vilões, que são recrutados por Amanda Waller para formar um esquadrão que realizaria missões perigosíssimas a serviço do governo dos Estados Unidos.
O filme conta a história de forma linear com alguns flashbacks inseridos. Todos os personagens tem sua apresentação, porém como já é de se esperar nem todos possuem o mesmo destaque, há personagens aqui que praticamente não tem desenvolvimento, o que pode ser um problema.


O elenco deste filme é excelente, a dinâmica entre os personagens é bem trabalhada, há amizade, mas também há conflitos. Viola Davis interpreta Amanda Waller, uma das melhores personagens desse filme. Ela rouba a cena em todos os momentos que aparece, é uma mulher determinada, forte, perigosa, autoritária e sem remorsos. Há uma grande comparação aqui com a personagem Annalise que Viola interpreta na série televisiva "How To Get Away With Murder", porém apesar das semelhanças, Annalise é muito mais dramática e sentimental que Amanda.






Ben Affleck faz uma pequena aparição como Batman basicamente para ligar o filme ao restante do universo, e outra participação como Bruce Wayne em uma cena pós créditos. Outro herói da DC também faz uma aparição nesse filme bem pequena mas muito bacana.

 Margot Robbie simplesmente nasceu para interpretar Harley Quinn (ou Arlequina, como preferirem). Ela é completamente louca, perigosa, muito engraçada, e apaixonada pelo Coringa, é uma Arlequina perfeita. Will Smith interpreta Pistoleiro, um assassino letal, e temos aqui uma das melhores atuações de Will Smith em muitos anos, o drama que ele dá ao personagem convence. Jai Courtney interpreta o Capitão Bumerangue, e ele está muito engraçado nesse filme, foi feito um bom trabalho com o personagem que mal ou bem é um dos mais ridículos da galeria de vilões do Flash. Adewale Akinnuoye-Agbaje interpreta Crocodilo e é muito legal que este personagem não tenha sido feito com computação gráfica, a maquiagem é muito bem feita, sobre a atuação, o personagem não foi muito desenvolvido, há apenas uma fala que eu particularmente achei realmente interessante, poderia ter sido mais explorado. Jay Hernandez interpreta El Diablo, um prisioneiro com poderes pirotécnicos que sofreu uma grande tragédia no passado, o drama do personagem é interessante, bem como as habilidades, o ator não faz nada incrível mas faz seu trabalho, eu gostaria muito de ver mais do personagem em outros filmes.

Joel Kinnaman interpreta o soldado Rick Flag contratado por Amanda Waller para liderar o esquadrão e não há muito o que dizer sobre ele, o personagem é interessante mas o ator não fez nada que não tenha feito em outros trabalhos. Karen Fukuhara interpreta a Katana, e a personagem não é muito aproveitada, fica claro pelos trailers de que haviam mais cenas da personagem e é muito triste que tenham sido deletadas da versão final. Scott Eastwood está completamente desperdiçado nesse filme. Haviam diversas teorias de que seu personagem era Dick Grayson, o Asa Noturna, mas o ator interpreta um mero soldado aliado de Rick Flag, com falas totalmente esquecíveis, assim como o próprio personagem. Cara Delevigne interpreta Magia e eu gostei muito dessa personagem, a atriz ainda está desenvolvendo seu talento, mas melhorou em relação a filmes anteriores, aqui ela interpreta duas personagens diferentes e as duas convencem apesar de também faltar cenas. E finalmente Jared Leto como Coringa. O Coringa desse filme é completamente diferente de todos já vistos em live-action. Jared Leto faz um excelente trabalho aqui, da pra notar que o ator realmente entrou no personagem, porém o personagem não aparece muito, por esse motivo não da para comparar a atuação de Leto com a do ator Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas.

A edição desse filme é uma zona, o filme passou por regravações meses atrás, isso provavelmente atrapalhou, porque é fácil de perceber a enorme quantidade de cortes, tudo muito picotado, explícitos erros de continuidade, há várias cenas que claramente tinham 2 minutos a mais. O roteiro também problemático, o tom do filme é confuso, ele tenta ser engraçado mas também é sombrio, provavelmente decorrente dos problemas de Batman Vs Superman, que foi apontado por muitos como sendo sombrio demais ou até mesmo sem graça, sendo assim a Warner procurou tornar esse filme mais engraçado para tentar alcançar sucessos como Guardiões da Galáxia ou Deadpool.



A trilha sonora desse filme é maravilhosa. Todas as músicas divulgadas anteriormente estão presentes no filme, a edição de som ficou muito boa. As músicas se encaixam nos momentos certos, com os personagens certos. O álbum Suicide Squad: The Album já pode ser ouvido no Spotify.

Um tema bastante comentado dias atrás era sobre a sexualização da personagem Arlequina, porém apesar de realmente usar roupas provocantes, a sexualização é um fator característico dessa personagem e no filme não ficou tão explícito em comparação aos trailers.

Esquadrão Suicida é um excelente filme de entretenimento, com incríveis personagens, mas que tem grandes problemas no roteiro e no tom do filme. A Warner está indo com muita pressa em desenvolver seu universo e isso pode ser um problema, além disso precisa rever seu objetivo de fazer filmes mais sombrios e realistas ou filmes divertidos como os da Marvel. Mas apesar disso tudo, há muita coisa boa nesse filme e nesse universo expandido que não deve ser deixada de lado.



Gustavo Matheus

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